A OpenAI está considerando cortar drasticamente os preços que cobra pelos seus serviços de IA. Segundo relatório do Wall Street Journal publicado em 11 de junho, a empresa estuda reduzir o custo por token para atrair usuários que estão migrando para a Anthropic.

O movimento não é por generosidade: é reação. O Claude Code, ferramenta de desenvolvimento da Anthropic, ganhou adoção viral entre devs e criadores, levou a Anthropic a superar a avaliação de mercado da OpenAI pela primeira vez na história, e colocou Sam Altman numa posição defensiva que a empresa claramente não estava acostumada a ocupar.

O que a OpenAI está pensando fazer com os preços?

Personagem robótico em traje executivo anunciando corte de preços numa arena teatral

A OpenAI está avaliando reduzir o preço cobrado por tokens, a unidade que as empresas de IA usam para faturar. Segundo o Wall Street Journal, a empresa antecipa que a Anthropic também vai cortar preços em breve, então prefere sair na frente.

Sam Altman, CEO da OpenAI, já sinalizou a mudança publicamente: disse que “haverá várias formas de ajudar as pessoas a obter mais valor gastando menos” e reconheceu que os custos são “um problema enorme para clientes corporativos”.

Os preços atuais por milhão de tokens:

ModeloEntradaSaída
Claude Fable 5 (Anthropic)US$ 10US$ 50
GPT-5.5 (OpenAI)US$ 5US$ 30
Claude Opus 4.8 (Anthropic)US$ 5US$ 25

Nas assinaturas para pessoa física: a OpenAI cobra entre US$ 8 e US$ 100 por mês. A Anthropic cobra US$ 17 mensais no Claude Pro (plano anual) ou US$ 100 ou mais no Claude Max.

Como o Claude Code virou o jogo pra Anthropic

Print da página do Claude Code da Anthropic

O Claude Code é a ferramenta que mudou o equilíbrio de poder. Lançada como um produto para quem trabalha com criação de software no terminal, ela ganhou adoção viral entre devs, criadores e times de produto que usam IA diretamente no fluxo de trabalho.

O resultado financeiro foi expressivo. A Anthropic saiu de US$ 9 bilhões de ARR em janeiro de 2026 para US$ 47 bilhões em maio, crescimento de mais de 5x em cinco meses. Com essa tração, fechou a Série H de US$ 65 bilhões em maio, chegando a US$ 965 bilhões de avaliação.

Pela primeira vez na história, a Anthropic ultrapassou a avaliação da OpenAI, que ficou em US$ 852 bilhões em março de 2026. A OpenAI respondeu acelerando o desenvolvimento do Codex, sua própria ferramenta de código, mas a vantagem da Anthropic no segmento já estava estabelecida.

O que é “tokenmaxxing” e por que as empresas estão preocupadas

Ilustração do fenômeno tokenmaxxing em empresas de tecnologia

“Tokenmaxxing” é o termo que circula no Vale do Silício para descrever empresas que adotaram IA de forma acelerada sem avaliar retorno sobre o investimento. A IBM Consulting popularizou o conceito: organizações que consomem volumes altos de tokens sem conseguir conectar esse gasto a resultados concretos.

Um caso real: a Uber precisou limitar o uso do Claude Code pelos funcionários para controlar os custos com IA. Outro executivo de tecnologia admitiu ao WSJ que estava tendo dificuldade em conectar as melhorias de criação de software geradas por IA a resultados mensuráveis para clientes.

O problema não é a IA em si. É a adoção sem critério de onde ela realmente gera retorno. Com preços altos e resultados difusos, as empresas estão repensando orçamentos de IA, o que aumenta a pressão competitiva entre OpenAI e Anthropic para oferecer mais valor pelo mesmo gasto.

O que muda na prática pra quem usa IA no trabalho?

Cena com personagem usando IA no trabalho com impacto nos custos

Se a guerra de preços se confirmar, quem usa Claude, ChatGPT ou qualquer ferramenta construída sobre essas APIs tende a pagar menos. As implicações práticas são diretas:

No curto prazo, o preço do Claude Max ou do ChatGPT Pro pode cair. Ferramentas como Cursor, Lovable e outros produtos que consomem tokens em segundo plano tendem a repassar a economia para seus usuários.

No médio prazo, mais empresas conseguem justificar a adoção de IA porque o custo de experimentação fica menor. O que hoje é caro demais para testar começa a se tornar viável para times de menor porte.

O ponto que muitos ignoram: ambas as empresas estão perdendo bilhões operacionalmente, mesmo com crescimento explosivo de receita. Os preços baixos agora são financiados por capital de risco na corrida para o IPO. Quando precisarem responder a acionistas públicos, os preços podem voltar.

Quais os riscos reais dessa guerra de preços?

Cena dramática sobre dependência de um único fornecedor de IA

A guerra de preços entre OpenAI e Anthropic parece boa notícia na superfície. E em boa parte é. Mas tem armadilhas que valem atenção antes de tomar decisões de longo prazo.

O risco principal para quem usa IA no trabalho não é o preço subir agora. É construir uma operação inteira dependente de um único fornecedor que pode mudar seus preços, seus termos de serviço ou sua disponibilidade assim que a pressão pré-IPO diminuir. Ambas as empresas confidencialmente protocolaram seus S-1 com a SEC em dias de diferença, mostrando que o horizonte de capital aberto está próximo.

A recomendação prática é usar arquiteturas com mais de um modelo sempre que possível, mantendo flexibilidade para trocar de fornecedor. Quem constrói sua operação de IA com isso em mente sai em vantagem em qualquer cenário, sejam os preços caindo ou subindo.

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Fonte

CNBC: OpenAI mulls slashing prices ahead of competition from Anthropic

PYMNTS: OpenAI Weighs Price Cuts as Competition With Anthropic Takes Shape

OpenTools: OpenAI Considers Drastic Price Cuts as AI Token War With Anthropic Heats Up