Como criar marketplace no Lovable: as 4 partes que não podem faltar
Marketplace no Lovable exige 4 frentes: cadastro duplo de comprador e vendedor, integração de pagamento, busca com filtros e moderação de conteúdo.
Criar um app simples no Lovable, como uma calculadora, um portfólio ou um formulário de contato, funciona na maioria das iterações sem pensar muito em estrutura. Marketplace é diferente.
Um marketplace tem dois tipos de usuário com permissões diferentes, dinheiro que passa de uma parte pra outra, produtos ou serviços que precisam ser listados, buscados e aprovados. Se você começar o prompt sem ter essa estrutura clara na cabeça, o Lovable vai criar algo que parece marketplace mas não funciona como tal.
Esse artigo cobre as 4 partes que não podem faltar antes de começar a criar.
O que faz um marketplace diferente de um app comum no Lovable?
A diferença fundamental é o cadastro duplo.
Num app normal, você tem um tipo de usuário. Num marketplace, você tem pelo menos dois: quem compra e quem vende. Eles têm interfaces diferentes, permissões diferentes no banco de dados e fluxos de onboarding diferentes.
No Lovable com Supabase, isso significa tabelas separadas (profiles com um campo role ou tabelas distintas buyers e sellers) e Row Level Security configurada pra impedir que um comprador acesse dados de outro vendedor e vice-versa.
Se o Lovable criar uma tabela users genérica sem essa separação, você vai bater num muro quando quiser mostrar “meus produtos” pro vendedor e “meu carrinho” pro comprador.
Parte 1: Cadastro duplo: dois perfis, uma plataforma
A forma mais simples é usar uma coluna role na tabela profiles com valores buyer ou seller. Na tela de cadastro, o usuário escolhe qual perfil cria.
O prompt pro Lovable precisa ser explícito nisso. “Crie uma plataforma onde pessoas podem comprar e vender” gera uma estrutura genérica. “Crie um marketplace com dois tipos de cadastro: vendedor (que cria anúncios) e comprador (que busca e compra), com tabelas separadas no Supabase e Row Level Security” começa a estrutura certa.
Cada tipo de usuário precisa de uma área diferente após o login: o vendedor vai pra um painel de gerenciamento de produtos; o comprador vai pra uma vitrine de busca.
Parte 2: Pagamento entre partes: não dá pra só apontar pro checkout
Num e-commerce normal, o dinheiro vai do comprador pra sua conta. No marketplace, o dinheiro vai do comprador, passa pela plataforma e chega ao vendedor: com a plataforma retendo uma comissão.
Isso se chama split de pagamento e exige integração com um gateway que suporte isso. No Brasil, Stripe e Pagar.me têm essa funcionalidade. O Lovable consegue gerar a integração básica com Stripe, mas você precisa especificar no prompt que quer Stripe Connect (o produto específico pra marketplaces), não o Stripe padrão.

Parte 3: Busca e filtros que o comprador consegue usar
Marketplace sem busca funcional não retém usuário.
O Supabase tem busca full-text nativa (to_tsvector + to_tsquery) que funciona bem pra textos em português. O Lovable consegue gerar isso, mas precisa de um prompt claro: “Adicione busca por texto nos títulos e descrições dos produtos com suporte a português”.
Filtros por categoria, faixa de preço e localização são os mais comuns. A arquitetura de dados precisa prever esses campos desde o início, porque adicionar filtros depois de um schema sem esses campos exige refatoração.
Parte 4: Moderação: aprovar, bloquear e resolver disputas
Um marketplace sem moderação vira um marketplace de spam.
A moderação mínima tem três partes: aprovar anúncio novo antes de publicar, poder bloquear vendedor que viola as regras e ter um caminho pra resolver disputa entre comprador e vendedor.
No Lovable, isso se implementa com um painel de admin separado (terceiro tipo de usuário, com role admin) e um campo status nos anúncios (pending, approved, rejected, blocked). A tela pública só mostra anúncios com status approved.
O prompt precisa incluir esse painel de admin e o fluxo de aprovação. Se não incluir, o Lovable gera anúncios que aparecem imediatamente sem revisão.
Essas são as 4 partes que precisam estar no escopo do projeto antes de você começar a criar no Lovable. Com estrutura certa desde o primeiro prompt, você vai muito menos pra frente e pra trás.
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