A Anthropic decidiu que o Claude Code vai ler o arquivo de instrução da concorrente. Na versão 2.1.277, lançada nesta semana, o CLI passou a aceitar o AGENTS.md, formato que a OpenAI contribuiu pra Agentic AI Foundation, sempre que o projeto não tem um CLAUDE.md próprio. Segundo o The Register, é a primeira vez que a Anthropic abre mão do próprio formato de instrução pra abraçar o padrão de um rival direto. E, no mesmo pacote de mudanças, uma comunidade de desenvolvedores achou uma forma de usar essa mesma abertura pra rodar modelos concorrentes dentro da interface do Claude Code, sem tocar num único modelo da Anthropic.

O que é o AGENTS.md e por que o Claude Code passou a lê-lo

AGENTS.md é um arquivo de instrução em Markdown que diz a um agente de IA como se comportar num repositório: convenções de código, comandos de build, regras de estilo. É a mesma função do CLAUDE.md, só que criado pela OpenAI e hoje mantido pela Agentic AI Foundation, entidade sem fins lucrativos que reúne padrões abertos pra ferramentas agentic.

O formato já tinha se espalhado antes da Anthropic aceitar ler ele. Segundo a cobertura da DevOps.com, mais de 60 mil repositórios open-source já usavam AGENTS.md quando a mudança saiu, e o formato ultrapassou o CLAUDE.md em adoção no GitHub em maio deste ano. Codex (da própria OpenAI), DeepSeek e outras ferramentas agentic já liam esse arquivo há meses. Quem mantinha os dois formatos em paralelo, duplicando instrução pra cada agente diferente, ganhou uma dor de cabeça a menos.

A regra de prioridade é simples: se existe CLAUDE.md, .claude/CLAUDE.md ou CLAUDE.local.md em qualquer ponto do caminho até a pasta de trabalho, esse arquivo manda e o AGENTS.md nem é carregado. O fallback só entra em ação quando não há nenhum arquivo específico da Anthropic. Dá pra desligar esse comportamento pelo /config.

Print da home do Claude Code, produto de terminal agentic da Anthropic

Por que a Anthropic abriu mão do próprio padrão

Isso não é generosidade. É pragmatismo de quem sabe que o formato de instrução virou território de disputa entre ecossistemas, do mesmo jeito que aconteceu com package.json ou .gitignore: quem vira o padrão de fato ganha o repositório inteiro do desenvolvedor, incluindo os momentos em que ele abre outra ferramenta agentic no mesmo projeto. Brigar contra um formato usado em 60 mil repositórios custava mais caro pra Anthropic do que aceitar ele como fallback e manter o CLAUDE.md como camada extra, pra quem já investiu nele.

Como devs estão usando essa brecha pra rodar GPT-5.6 dentro do Claude Code

A ironia é que a mesma flexibilidade que fez a Anthropic aceitar o formato de arquivo da OpenAI virou porta pra fugir dela inteira. Redirecionar a variável de ambiente ANTHROPIC_BASE_URL, ou trocar a chave de API no settings.json do Claude Code por uma chave da OpenRouter, faz o harness inteiro (interface, atalhos, gestão de contexto) continuar rodando exatamente como sempre, só que conversando com GPT-5.6 Sol, Gemini, DeepSeek ou Moonshot no lugar de Claude.

O AI Weekly registrou o movimento crescendo entre devs que preferem a experiência do Claude Code, mas querem comparar resposta de modelo ou economizar em tarefas mais simples sem trocar de ferramenta. Existe até um projeto open-source, o Claude Code Router, dedicado só a interceptar as chamadas em formato Anthropic e redirecionar pra qualquer provedor compatível.

Esse truque só funciona rodando o Claude Code pelo terminal ou dentro de um editor como VS Code. O app desktop trava o usuário num modelo da própria Anthropic, sem opção de troca.

As limitações reais de rodar outro modelo no harness do Claude Code

Nem tudo migra junto quando você troca o modelo por baixo do capô. Segundo a documentação da própria OpenRouter, o extended thinking (o modo de raciocínio estendido) só funciona nativamente nos modelos Claude, então ele simplesmente não existe ao usar um modelo rival. O suporte a tool use varia de modelo pra modelo dentro do catálogo da OpenRouter, e o prompt caching, que é o que segura o custo de sessões longas de agente, também não é uniforme.

Na prática, o resultado costuma ser uma ferramenta mais barata ou mais rápida numa tarefa pontual, mas sem as mesmas garantias de raciocínio e custo que o Claude Code entrega quando conversa com um modelo Claude nativo. Vale pra teste e comparação, não pra troca definitiva sem entender o que se perde.

O que isso muda pra quem cria produto com Claude Code

Pra quem constrói produto com Claude Code no dia a dia, a prática recomendada muda pouco: escrever o CLAUDE.md continua valendo, principalmente se o repositório também é aberto por outro agente (Cursor, Codex) que só entende AGENTS.md. Nesse caso, um CLAUDE.md com instrução mais específica da Anthropic ao lado de um AGENTS.md mais genérico cobre os dois times sem duplicar trabalho.

Já a possibilidade de trocar o modelo por baixo do harness é mais interessante como ferramenta de teste do que como configuração permanente. Comparar como GPT-5.6 e Claude respondem à mesma tarefa de refatoração, com a mesma interface e os mesmos atalhos, é rápido de configurar e barato de reverter. É bom saber que a porta existe, principalmente quando a fatura do mês aperta.

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Fonte

The Register: Anthropic decides to support OpenAI’s markdown instructions spec

DevOps.com: Claude Code Adds AGENTS.md Fallback, Cutting Instruction File Sprawl

AI Weekly: Developers Route Claude Code at Rival Models via OpenRouter