O Financial Times reportou hoje que a Anthropic tem cerca de seis engenheiros trabalhando dentro da NSA, a Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos. O trabalho deles é adaptar o Claude Mythos para operações cibernéticas ofensivas. Uma fonte ouvida pelo FT disse que o modelo seria útil para “infiltrar redes de países como China e Irã”. Esse artigo é uma leitura do que foi reportado pelo FT e pela TechCrunch, com o recorte do que isso revela sobre onde a IA está indo.

O que a Anthropic está fazendo dentro da NSA?

A Anthropic enviou seis engenheiros como profissionais destacados para dentro da NSA. O papel deles é guiar o uso do Claude Mythos e personalizar o modelo para aplicações específicas da agência. Segundo o Financial Times via Investing.com, uma fonte interna descreveu o modelo como útil para “penetrar redes de estados como China e Irã”. Não ficou claro se esses engenheiros estão envolvidos em operações ativas ou apenas na fase de adaptação.

Grupo de personagens Pixar 3D com óculos redondos grandes em sala de operações governamental com monitores holográficos verdes

Esse movimento acontece em paralelo com a expansão global do Projeto Glasswing. Em 2 de junho, a Anthropic anunciou que o Claude Mythos Preview chegou a mais 150 organizações em mais de 15 países, cobrindo setores de energia, água, saúde, comunicações e hardware. No início, em abril de 2026, o modelo estava restrito a apenas 50 organizações americanas. A escala aumentou rápido.

O que é o Claude Mythos e por que ele foi bloqueado?

O Claude Mythos é o modelo mais avançado da Anthropic e o único que a empresa ainda não liberou ao público geral. Lançado em abril de 2026, ele foi apresentado como um modelo de propósito geral com capacidade excepcional em segurança cibernética. A Anthropic disse que vai lançar o Mythos publicamente só depois de implementar “salvaguardas altamente robustas” para evitar uso indevido.

O motivo da restrição é o próprio poder do modelo: durante os testes com o Projeto Glasswing, o Mythos encontrou uma vulnerabilidade de 27 anos no OpenBSD. Uma IA que encontra e potencialmente explora falhas com esse nível de profundidade técnica precisa de cuidados antes de ir ao público geral.

Entidade IA Pixar 3D emergindo de cofre selado com redemoinhos de energia verde esmeralda, personagens cientistas abaixo com expressão de assombro

Para efeito de comparação: o Claude Opus 4.8, disponível hoje para qualquer pessoa, já lidera benchmarks de codificação avançada e tarefas agênticas. O Mythos é a camada acima disso.

A contradição que ninguém esperava

O ponto mais comentado no Hacker News é o seguinte: a Anthropic está ao mesmo tempo processando o Pentágono e colaborando com a NSA.

A Anthropic tentou proibir que os modelos Claude fossem usados para vigilância em massa de cidadãos e para drones letais autônomos. O Departamento de Defesa respondeu classificando a Anthropic como “risco de cadeia de suprimentos”, uma designação que pode forçar o encerramento de contratos militares e afetar bilhões em receita futura. O secretário de Defesa Pete Hegseth confirmou esta semana, segundo a Benzinga, que o Pentágono não vai recuar nessa designação.

Ao mesmo tempo, a mesma empresa aceita que a NSA use o modelo mais poderoso que tem para operações cibernéticas ofensivas contra redes estrangeiras.

Personagem Pixar 3D dividido entre salão de tribunal com martelo gigante em uma mão e sala de operações com tela verde na outra, expressão cômica de contradição

O timing é complicado: a Anthropic protocolou IPO confidencial na SEC em 1º de junho, com valuation potencial acima de US$ 1 trilhão. A designação do Pentágono como “risco” é mencionada explicitamente como ameaça nos documentos do IPO. Resolver esse relacionamento com o governo americano importa financeiramente, não só politicamente.

A tensão entre os dois braços do governo americano (Pentágono vs NSA) e como a Anthropic navega isso vai ser um dos capítulos mais importantes do processo de abertura de capital.

O que isso muda pra quem usa IA nos negócios?

A IA que você usa no dia a dia chegou ao nível de ativo estratégico nacional. O Claude Mythos opera num patamar onde governos decidem quem pode ter acesso a ele e para quê. Isso não é coincidência, é reflexo de onde a capacidade chegou.

Para um dono de empresa no Brasil, a implicação prática não é “meu Claude vai espionar alguém”. É outra: os modelos disponíveis no mercado hoje, como o Claude Opus 4.8 e o GPT-5.5, já são versões públicas de capacidades que, no topo da cadeia, viraram instrumentos de política nacional. Isso diz algo sobre a janela de oportunidade que existe agora.

Personagem empresarial Pixar 3D com expressão de determinação focada olhando tela holográfica verde com visualizações de dados, luz solar dourada entrando por janela ao fundo

Empresas que souberem usar essa geração de IA em marketing, atendimento, análise e operação estão numa posição diferente das que ficaram esperando a tecnologia “ficar mais madura”. O Mythos na NSA é a prova de que ela já amadureceu. A questão agora é quem vai usar o que já está disponível.

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Fonte

Financial Times via Investing.com: Anthropic embeds engineers at NSA to deploy Mythos AI model

TechCrunch: Anthropic scales Claude Mythos to critical infrastructure in 15+ countries

Benzinga: Pete Hegseth Confirms Pentagon Won’t Back Down On Anthropic Risk Designation